Jornal O 5 de Abril

05.08.1949

Por  De Sá

“Uma estatua, é apenas o símbolo de uma grandeza; nunca será uma grandeza.

Retrospecto: Atiraram a estatua do “Colono Alemão”, às águas do Rio do Sinos. Ali repousa, no túmulo onde nasceu. Onde iniciou esta jornada acencional, por caminhos farpados e inóspitos. Porém mancomunados com o dever e a sinceridade.

   Foi num momento de inlucidez, que profligaram aquela expressão de uma nova era, às  águas de um rio. Naquela hora o “Cavalo de Atila” dos sentimentos daquelas pessoas, deve ter passado por seus cérebros, tornando essas mentalidades áridas e irresponsáveis. Aquêle ato, aliás, refletiu um estado de espirito perturbado pelas ideologias reinantes na época; na mór parte injustas.

   Não devem pedir que desfaçam aquele absurdo. Não! Não forcem um gesto que deve ser espontâneo, que deve brotar da compreensão…da inteligência. Sentimentos dessa ordem, não se incitam, eles nascem da cultura; a mãe das atitudes nobres. 

   Os que prescreveram, ou os que ajudaram a praticar aquela selvageria, esqueceram-se de que usavam sapatos feitos por artífices “Alemães”, de que se alimentavam com o feijão plantado pelo “Colono Alemão”. E este, ao invés de se abater moralmente, entregou-se com mais afinco ao trabalho para demonstrar, o que mais valia para êle; era a grandeza da Pátria que o desapropriava.

   Enquanto era acusado de subversivo, por sublevadores engravatados, êle suava de camisa arregaçada, eles para dar de comer e vestir àqueles demagogos, que só desejavam ver seus nomes impressos e seus bustos emoldurados. Concedei, pois, a eles, as esculturas.

   Deixem a estatua do “Colono Alemão”, lá onde está. Enquanto lá permanecer, não sofrerá iniquidades.

  De Sá